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TEMA

Protocolo de Askling na Reabilitação das Lesões nos Músculos Isquiotibiais

RFD Nº04

PROTOCOLO DE ASKLING NA REABILITAÇÃO DAS LESÕES NOS MÚSCULOS ISQUIOTIBIAIS

Pedro Matos, Diogo Lopes, José Teixeira

Fisioterapeutas. Rio Ave Futebol Clube, Vila do Conde

RESUMO

As lesões nos músculos isquiotibiais encontram-se entre as mais comuns nos desportos de não-contacto. O treino excêntrico tem influência na curva comprimento-tensão do músculo, melhorando a performance em atividades como o sprint e reduzindo o risco de lesões nos músculos isquiotibiais. O protocolo de Askling, consiste em três exercícios (Extender, Diver e Glider), com enfoque na componente da força excêntrica, para reabilitação de lesões nos músculos isquiotibiais. Este protocolo parece ser eficaz na redução do tempo de retorno à competição e na diminuição do número de recidivas quando comparado com um protocolo convencional. Este protocolo parece ser uma boa ferramenta para a reabilitação das lesões dos músculos isquiotibiais conjugado, numa abordagem holística, com outros processos de reabilitação e redução do risco de lesão.

PALAVRAS-CHAVE / KEYWORDS

Reabilitação, isquiotibiais, protocolo de Askling
Rehabilitation, hamstrings, Askling protocol

SUMMARY

Hamstring muscle injuries are among the most common in non-contact sports. Eccentric training influences the muscle’s length-tension curve, improving performance in activities such as sprinting and reducing the risk of hamstring injuries. The Askling protocol consists of three exercises (Extender, Diver and Glider), focusing on the component of eccentric strength, for rehabilitation of injuries to the hamstring muscles. This protocol seems to be effective in reducing the time to return to competition and the number of relapses when compared to a conventional protocol. This protocol seems to be a good tool for the rehabilitation of injuries to the hamstring muscles, in a holistic approach, with other processes of rehabilitation and reduction of the injuries risk.

INTRODUÇÃO

As lesões nos músculos isquiotibiais encontram-se entre as mais comuns nos desportos de não-contacto1, são das lesões musculoesqueléticas no membro inferior mais prevalentes, contraídas por sprinters e atletas com atividades de campo associadas a corrida a alta velocidade, acelerações e desacelerações.2 Podem ainda estar associadas a períodos de reabilitação mais longos (mais de um mês) e apresentam uma taxa de recidiva elevada, entre 12% a 33%, mesmo sendo utilizados procedimentos preventivos.1 Assim sendo, também por poderem causar períodos mais longos de ausência do atleta da competição desportiva, elas incluem-se num grupo de lesões causadoras de grande preocupação para os clubes pelo seu efeito na competitividade e no impacto financeiro associado ao desempenho.1,3
A natureza subjacente às lesões dos isquiotibiais é aceite como multifatorial e complexa.4 Assim, existe a necessidade de olhar para estas lesões de uma forma holística, tanto nos processos de redução do risco de lesão, como nos processos de reabilitação, tendo sempre em conta os seus fatores de risco (figura 1).3

Figura 1 –Fatores de risco associados às lesões dos isquiotibiais 3

TREINO EXCÊNTRICO E SUA RELEVÂNCIA NA PREVENÇÃO E REABILITAÇÃO

As lesões nos músculos isquiotibiais surgem, predominantemente, como resultado de acumulação ou surgimento instantâneo de sobrecarga excêntrica, ou seja, associadas à necessidade de produção de força em comprimentos musculares maiores. Desta forma, foi postulado que o treino de força excêntrica dos músculos isquiotibiais poderia reduzir o risco geral de lesão dos mesmos.2,3 O treino excêntrico pode, de facto, aumentar o envolvimento dos sarcómeros em série, permitindo aos músculos isquiotibiais a produção de força em comprimentos mais longos.2,5 Por este motivo, este tipo de treino tem influência na curva comprimento-tensão do músculo, pois permite que o comprimento ótimo associado ao pico de força ocorra em comprimentos maiores.6 Para além disto, está também demonstrado que o treino excêntrico promove um aumento da força muscular e, consequentemente, um aumento da performance em atividades como o sprint.2,5
Desta forma, estes efeitos poderão ter aplicações na redução do risco de lesão e reabilitação de lesões musculares dos isquiotibiais.2

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