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ARTIGO DE OPINIÃO

Kinesio Tape vs. Dynamic Tape

RFD Nº05

KINESIO TAPE VS. DYNAMIC TAPE

Cristian Tatarescu1, Jorge Godinho2

1Fisioterapeuta; 2Fisioterapeuta Chefe – Clínica NovaPhysiso, Lisboa.

INTRODUÇÃO

Há milhares de anos que se usam fitas/tapes adesivas como coadjuvantes terapêuticos. Um dos primeiros usos de fitas para fins de tratamento de que temos conhecimento é de 460-377 A.C, quanto Hipócrates utilizava uma banda de linho do tipo rígida para o tratamento de pé torto congénito.1 Existem diversos tipos de fitas que podem ser aplicadas com base no objetivo que se pretende alcançar. Existem fitas rígidas, como o gesso, ligaduras rígidas, e fitas elásticas, que possuem pouca ou muita capacidade de serem estendidas de voltar ao seu tamanho original. As fitas na sua maioria são colocadas com o objetivo de dar algum suporte ou efetuar algum tipo de correcção.1

Em 1970 surgiu, na China e na Coreia, a fita/tape elástica proveniente de conceitos da cinesiologia e da quiropraxia, com o objetivo de alegadamente oferecer auxílio aos músculos e outros tecidos de forma a atingir a homeostasia.2 A fita elástica é constituída por algodão e microfios de elastano, formando poros que permitem melhor ventilação, resistência à água, proporcionando menor desconforto, sendo hoje em dia das formas de tape mais utilizados nas práticas desportivas e na reabilitação.1

As fitas são fixas na pele, e apesar de inicialmente terem tido o objetivo de imitar as qualidades da pele humana, de forma a sustentar a musculatura lesada sem comprometer a amplitude de movimento, estudos mais recentes indicam que favorecem a estimulação do sistema tegumentar através dos receptores somatossensoriais de forma a estimular uma resposta do organismo. A manutenção de determinada orientação corporal é obtida a partir do complexo relacionamento entre informação sensorial e atividade muscular. Neste sentido, a tape auxilia na terapia por meio de estímulos mecânicos constantes e duradouros na pele que, pela atuação dos mecanorrecetores, realizam um arco neural e contribuem para a perceção da posição corporal e movimento articular.3

Um dos efeitos preventivos da aplicação de tape é o estímulo cutâneo, facilitando a aferência do músculo para estabilidade articular através de contrações inconscientes.4

KINESIO TAPE

A Kinesio Tape (também conhecida como tape neuromuscular) foi desenvolvida em 1973 pelo quiropata Dr. Lenzo Kaze, no Japão, que se inspirou noutras técnicas de taping desportivo, porém achou que essas tapes não tinham elasticidade semelhante à da pele e que restringiam muito o movimento dos pacientes por serem demasiado rígidas. Na altura, as tapes usadas para o tratamento de lesões eram aplicadas com o objetivo de imobilizar a região afetada. Essas tapes eram usadas por períodos de curta duração, já que por serem rígidas o uso prolongado poderia trazer problemas circulatórios devido à restrição sanguínea prolongada.5

Face a esses problemas, criou então a tape que atualmente conhecemos como Kinesio Tape, o qual é um material com características elásticas, que pode modificar o tamanho através de forças de estiramento e que, quando aplicado sobre a pele, proporciona uma força de retração elástica sem restringir tanto a amplitude de movimento, permite o fluxo sanguíneo adequado e pode ser utilizado por períodos de tempo mais prolongados.6

Alegadamente, o mecanismo de atuação do Kinesio Tape é de causar movimento entre a pele e o tecido subjacente. Esse efeito cria um pequeno espaço livre entre o músculo e a derme, o qual melhora a microcirculação de fluidos na área afetada. Também nesse espaço existem diversos recetores nervosos responsáveis pelo envio de informações específicas para o cérebro. Quando existe algum tipo de compressão nesse espaço, algo que ocorre, por exemplo, durante a lesão onde existe edema, tais recetores também sofrem compressão e enviam informações ao cérebro, que causam a sensação de dor, sensibilidade ao toque e pressão na região.5

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